4-4-2, 4-2-3-1 ou 4-3-3

Técnica? Táctica? Dinâmica? Esquema? Transições...
E poderia continuar a escrever o post com interrogações várias, daquelas que animam as discussões futebolísticas, sendo que há sempre uma ideia muito simples: a bola entra ou bate na trave? A resposta decide a validade das reflexões anteriores.
Jorge Jesus gosta de se mostrar como o mestre da táctica, sendo que tem levado alguns banhos de bola de outros menos experimentados - o Marco Silva do Estoril é disso um péssimo exemplo!
Quando chegou ao SPORT LISBOA E BENFICA o nosso Mister disse que ia colocar os craques a jogar o dobro e não cumpriu - eles jogaram muito mais que o dobro.
Foi uma equipa que se caracterizou por ter uma linha defensiva de 4, onde o Capitão tinha como companheiro um dos melhores do mundo: David Luiz, hoje esquecido no Chelsea. No meio, tinhamos o Javi Garcia no vértice inferior de um losango que tinha nas alas o Di Maria e o Ramirez, o Aimar no vértice superior e o Saviola ali perto do Cardozo.
Era um 4-4-2- em losango, muitas vezes transformado pela dinâmica num 4-2-3-1, onde o Ramirez e o Javi faziam um duplo pivot no meio, atrás do Di Maria, do Aimar  e do Saviola. Esta equipa não conseguia gerir os diferentes momentos dos jogos - jogava sempre a abrir, apesar do papel fundamental do Ramirez a dar uma mão ao Javi.
Depois do equívoco geral na época seguinte, o ano passado tivemos uma abordagem diferente ao jogo - se do ponto de vista da defesa não houve grandes novidades, no meio campo surgiu um novo Javi, de origem sérvia e que foi considerado o melhor jogador da Liga: MATIC!

Penso que o Jesus manteve um 4 defensivo, apostou num duplo pivot no centro do terreno: Matic e Enzo, jogando com dois alas bem abertos e com uma dupla de avançados, mais ou menos fixos - Lima e Cardozo na maioria dos jogos, mas Rodrigo numa ou noutra ocasião também entrou, sem nunca chegar ao nível que teve antes da lesão na Rússia. Se tivesse que descrever diria que jogamos num sistema 4-2-2-2 ou num 4-2-2-1-1. A dupla existência no meio fortaleceu a equipa no momento de defender as transições ofensivas dos adversários, deu estabilidade e libertou jogadores como o Gaitán e o Salvio. Ficou, no entanto, sempre a ideia, nos jogos grandes, que a equipa se expunha em excesso - não me esqueço das bolas nos postes nas jogadas anteriores a cada um dos golos que nos levaram à final europeia.
 No arranque da nova época não se percebeu o que queria o Jesus ou, visto de outro modo, não conseguimos perceber o que queriam os jogadores. A equipa parecia a mesma do ano anterior, mas a verdade é que, para o mesmo esquema, a dinâmica parecia completamente diferente. Curiosamente foi um sócio do BENFICA que veio trazer estabilidade ao onze: Rúben Amorim. Este tipo, que em Braga teve um ou outro momento infeliz (mas estás perdoado sócio!), está um senhor jogador e permite ao BENFICA caminhar para algo parecido com um 4-3-3. Matic, Enzo e Rúben formam um trio no meio-campo que confere mais segurança nos momentos em que é preciso recuperar a bola.
Parece-me, no entanto, que é um esquema contra natura, em função dos jogadores que temos, porque este esquema dispensa um número 10 e pede alas puros, daqueles que vão às linhas. Não me parece que o BENFICA vá ganhar com esta táctica nos jogos "pequenos" - preferia manter uma lógica semelhante à do ano passado, onde entramos sempre com 4 homens claramente ofensivos. Admito, no entanto que nos jogos a doer, a opção possa passar por ter 3 médios, o Cardozo e mais dois.
Mas, apetece-me voltar às primeiras linhas do post: que se lixe a táctica. Passem a bola ao Matic que ele resolve!



8 comentários:

Kiddo! disse...

No fundo, eu acho que o JJ ainda não se apercebeu que já não temos o Ramires...

Ruben da Costa e Silva disse...

Podem chamar-me idiota ou gozarem com a minha cara à vontade, mas para mim o melhor treinador do mundo actualmente e já para aí uns 15 anos é o Arséne Wenger. Ele adapta a forma de jogar da equipa, a nível de táctica ou estratégia, aos jogadores que tiver disponível, tentando sempre tirar o melhor partido das características individuais de cada um em serviço do colectivo, e não o que outros pseudo-treinadores fazem, que é tentar adaptar os jogadores a uma táctica/estratégia específica. Ele criou um estilo de jogo base tão versátil para o Arsenal, que basta substituir um jogador por outro e a equipa passa a jogar um estilo completamente diferente, dependendo do que ele queira que a equipa faça naquele momento do jogo (manter a posse, defender mais baixo, imprimir mais velocidade pelas alas, etc.). Outra grande virtude do Wenger é a forma como ele planeia os planteis, ele não contrata substitutos ou jogadores para uma segunda linha (tirando os keepers e os centrais), ele tenta sempre ter um plantel com vários tipos de jogadores, para ter mais opções a nível de estratégia. Por exemplo, um treinador normal colocaria na posição 10 ou Ozil ou Rosicky ou Cazorla, no Arsenal é possível jogarem os 3 ao mesmo tempo, mas a equipa irá jogar duma maneira diferente se só jogarem 2 ou 1 deles, dependendo daquilo que Wenger pretender que a equipa faça naquele momento.

Zé Ninguém disse...

losangos? 4-3-3? Joga masé em WM que o Belá Guttmann até bate palmas no túmulo!

Ruben da Costa e Silva disse...

O que mete mais asco é que o Benfica a nível nacional é o plantel com mais qualidade e com mais variedade, mas infelizmente temos um treinador banal.

PS.: JJ não é mau treinador, muito pelo contrário, tem muitas boas qualidades, mas para quem afirma ser um treinador para a ''estrutura'' e que mama 4 milhas/ano, alto aí e para o baile!!

PPS.: oiço muita gente a pedir o Marcos Silva para substituir o JJ, devem ser os mesmos que no ano passado andavam a pedir o paulo fonseca para o substituir... Embora eu acho que o futuro poderia passar pelo Marcos, mas é preciso não esquecer uma coisa, tal como muitos que aí andam que afirmam que os jogadores jovens da formação para evoluirem precisam de jogar e errar para aprender, um treinador jovem também tem que passar por um processo semelhante, e paciência é algo que não existe no Benfica...

PP disse...

MeiralVermelho,

«Parece-me, no entanto, que é um esquema contra natura, em função dos jogadores que temos, porque este esquema dispensa um número 10 e pede alas puros, daqueles que vão às linhas. (sobre o 4-3-3)»
Acho que essa visão é muito de 4-3-3 versão anos 90, muito por culpa do Porto dessa altura, com Capucho na direita, Drulovic na esquerda e Jardel a ponta-de-lança.

Hoje em dia os tridentes de ataque são diferentes. Por causa das defesas mais organizadas, os extremos puros têm cada vez menos espaço para dar profundidade. Regra geral, são defendidos com a ajuda do lateral e do extremo que desce e fecha. E, se conseguir soltar-se tem um dos médios defensivos ou um dos centrais à espreita de uma possível compensação.

Assim sendo, procura-se formar extremos/avançados interiores, os "falsos" extremos, que jogam de pé contrário ao flanco onde actuam, para terem tendência a fugir para o centro do terreno, estando eles entre a bola e o adversário, nesses movimentos. Isso faz libertar o corredor para a subida dos laterais.

Por outro lado, o ponta-de-lança, é mais um avançado construtor de jogo. Actualmente, estes já vêm atrás e participam nas jogadas, como o Falcao e o Messi, por exemplo.

O "10" trequartista clássico, o jogador que ficava atrás do avançado está a desaparecer, pois a tendência é ter sempre um médio defensivo de raíz e mais posicional. Por isso, a criação tem de ser feita um pouco mais atrás, ou então repartir por mais gente. Há pois uma procura de novos espaços e agentes criadores dentro de campo. Já repararam em como o Özil actualmente joga mais tempo nas alas, atrás, do que propriamente atrás do ponta-de-lança?


Ruben da Costa e Silva,

O que escreveste do Wenger estou 120% de acordo!

Já agora, quando escreves:
«Por exemplo, um treinador normal colocaria na posição 10 ou Ozil ou Rosicky ou Cazorla, no Arsenal é possível jogarem os 3 ao mesmo tempo, mas a equipa irá jogar duma maneira diferente se só jogarem 2 ou 1 deles, dependendo daquilo que Wenger pretender que a equipa faça naquele momento.»
Acrescentaria apenas o facto de ele ter Walcott e Podolski lesionados, os seus dois extremos de eleição, e não ter ficado chateado por isso. Ou seja, inventou uma nova solução que a meu ver até influenciou imenso na maneira da equipa jogar.

Isto significa que ele não tem problemas nenhuns em aplicar princípios de jogo um tanto ou tanto diferentes nas suas equipas, o que reflecte a enorme qualidade de treino que possui.

Zé Ninguém,

O WM era a táctica dos ingleses quando foram massacrados pela mágica Húngria em 1953, no "match of the century". Os Húngaros utilizaram uma táctica esquematizada em papel como uma espécie de "UM" (3-2-5, ou 1-3-2-4, por causa do Lorant que era basicamente um líbero sózinho lá atrás, apenas com a ajuda do Zakarias e dos laterais ofensivos Buzansky e Lantos, e do grande Hidegkuti que era um avançado que jogou basicamente reucado - o primeiro "9,5"). Esta táctica deu anos mais tarde origem ao 4-2-4... perceber um pouco a evolução táctica é perceber também as tendências que o futebol foi apresentando. Muitas delas são cíclicas...

;)

Kiddo! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kiddo! disse...

Foda-se, PP,se receberes menos de 4 milhões/ano eu quero é que tu sejas o próximo treinador do Benfica!!!

P.S. Leva o Ruben para adjunto...

Sentinela um Estremecer disse...

O que eu me divirto a ler os verdadeiros teóricos. Os sofás foram inventados a pensar em "vocês" e quanto a isso só temos de agradecer.
hahaha