Crónica de Jorge Daniel

Pois é amigos. D10s foi-se embora, e apesar de estarmos em fase de negação, daí este esquema temporário do blog, mais minimal (a parecer as paneleirices do Tumblr), mas recebemos um post que temos mesmo que colocar.

Alguns já o conhecem, outros conheciam-no e nem sabem que ele voltou. Jorge Daniel, o puto mais reguila de Ourém, sobrinho do Lenhador mais filosófico em terras lusas, está agora em França, e, como bom correspondente para os melhores meios de comunicação, como é o caso do Jornal de Fátima e o Cabelo do Aimar, cá nos deixa uma exemplar crónica exclusiva que passo a transcrever:

"Eu gosto muito de futebol mas não percebo bem algumas coisas. Eu vou muitas vezes aos estádios fazer desporto e às vezes jogar também. Uma vez fui ao relvado de Alvaiázere mas foi para participar num torneio de karaté que nem ganhei nem nada. Era pequeno mas lembro-me que não queria ir com o kimono vestido de casa, por isso levei numa mochila para depois me vestir dentro do carro quando lá chegasse. O problema é que a minha mãe se esqueceu de guardar a parte de cima do kimono e quando cheguei ao torneio tive de fazer katares com o casaco de ganga vestido. Deve ter sido por isso que não ganhei o torneio porque eles nessas coisas são muito picuinhas. O meu cinturão favorito era o amarelo porque ficava a condizer com umas meias que eu tinha que já estavam meias amarelas, e o sensei (professor) dizia sempre que eu parecia um ovo estrelado mas com uma gema muito fininha. Nunca cheguei ao cinturão laranja porque estava quase sempre doente quando eram os exames, mas toda a gente dizia que eu devia ser cinturão preto com muitos dans ou laranja simples.


O meu pai farta-se de ganhar bilhetes para o futebol mas como os jogos são em Lisboa nunca vai e depois fica o jogo inteiro a ver se consegue ver na televisão o lugar dele vazio ou se alguém o ocupou.
Eu gosto de ir ao estádio ver futebol porque posso dizer asneiras e o meu pai ainda me paga um hambúrguer ou às vezes quando não há, vem uma bifana ou um pacote de batatas fritas. O meu avô uma vez arranjou uma grande confusão no estádio porque ele pediu umas ruffles de presunto, mas quando abriu o saco só vinham lá as batatas e ele tinha trazido dois pães chapata de propósito para comer com presunto no intervalo. Eu ainda lhe tentei explicar, mas ele sentiu-se enganado e exigiu dez fatias de presunto na hora. Eles não tinham lá presunto mas deram-lhe dez fatias de fiambre e ele nem notou nada.


Da última que fomos todos juntos ver o futebol, foi um Leiria-Nacional mas que eu não me lembro quanto ficou. Mas penso que o Leiria ganhou ou perdeu. O meu pai disse para deixar os valores todos em casa por causa da confusão, e eu deixei os óculos para não mos partirem e depois cheguei lá e não vi nada e nem me apercebi se havia confusão ou não.
Houve uma vez que aconteceu uma coisa e eu nunca percebi. Há aqueles velhos, e o meu avô é um desses, que vai para o café ouvir o relato pelo rádio e depois grita golo antes de toda a gente. Mas uma vez no estádio do Leiria estava um velho à minha frente a ouvir o relato no rádio e também gritou golo uns vinte segundos antes.
Adoro estádios, só não gosto das lesões."

JORGE DANIEL, Junho 2013
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2 comentários:

jose garcia disse...

Delicioso

Ricardo Cunha disse...

Fdx, isto é de ir às lágrimas, ahaah...
Tive d para duas vezes de ler que ja nao aguentava mais.
Genial!!!!