A Identidade Benfiquista na Liga Principal

Urge a necessidade de se recuperar um certo valor, outrora auto-propagável, que se há perdido neste novo século. Falo pois, dos treinadores de futebol que respiram o bom ar do Benfiquismo. É de notar, e isto sem necessidade de recorrer a pequenos estudos ou pesquisas, que a lista de treinadores da primeira liga, facilmente identificáveis como Benfiquistas, ou que houveram vivido o Benfiquismo por dentro, é fatalmente curta. Por outro lado, reparemos no elevado número de treinadores que estão directamente associados, por exemplo, ao Portismo - número esse que tem vindo a aumentar de forma pornográfica- sendo que já o ano passado havíamos alertado para isso, pois é a sombra de uma poderosa arma que se vira contra nós a cada época que passa.

Há jogadores portugueses que, ou já assinaram, ou são convencidos pelos seus actuais treinadores que irão assinar pelo FCPorto, fazendo com que já resvalem o seu anti-Benfiquismo de forma poderosa. Vemos casos como os de Josué, que faz das suas primeiras palavras como atleta azul, um forte manifesto anti-vermelho, ou como muitos outro casos, visíveis sempre que a imprensa a isso se presta. É, no meu entender, necessário incentivar antigos portadores da mística que se têm aposentado nos últimos anos a atentarem a estas vagas, que vão surgindo a cada início de época, e, se possível, criar condições, através do acompanhamento a esse nível, fazer regressar esses mesmos profissionais, para integrarem funções no clube, especialmente os que já a isso se dedicam, com bastante sucesso, no estrangeiro.

O apodrecimento da identidade Benfiquista tem de parar, e se vivemos em uma era confusa a todos os níveis, mas especialmente anárquica no que toca à comunicação, é necessário perceber novos fenómenos, e compreender, não só o proveito, mas a prevenção contra efeitos negativos. Um 'trolling' intenso como ao que recentemente fomos sujeitos, leva a que miúdos, levados pelas novas modas, excomunguem o Benfiquismo de seus pais, e adoptem novas formas, com as quais se identifiquem. Esses miúdos poderão ser os nossos craques vindouros. Mas, se esses miúdos, e jogadores de outras equipas, jovens jogadores, de futuro brilho, continuarem a receber apenas sinais identificativos do FCPorto, será normal uma quebra de interesse em fases que nos seja proveitoso captar esse interesse. Temos um elevado número de antigos jogadores que poderiam dar um grande contributo à disseminação da identidade Benfiquista pelas ligas profissionais lusitanas, e não creio que falta de capacidade seja o problema, ou não conseguirá um Nuno Gomes fazer igual ou melhor que um Pedro Emanuel? Não será mais inteligente um Miccoli treinador, alargando o leque para estrangeiros perfeitamente identificados com o Benfica, do que um Sérgio Conceição? O que tem afastado Professor Neca, Toni, Humberto, Veloso, Mozer, Ricardo Gomes, Preud'Homme, Rui Costa, Diamantino, Álvaro Magalhães, entre outros tantos, da ribalta da primeira liga? Incompetência e falta de qualidadae será a única resposta? Será, até mesmo, resposta?  Eu acho que não. Para alguns será falta de interesse? Medo de arriscar, dado o actual panorama desértico de casos bem-sucedidos? De facto, sem bases, outrora vincadas entre os anos 70 e 90, todo o argumento é recomendável, e nunca saberemos o que realmente fez parar a roldana.

A verdade é que neste momento não temos nenhum treinador da principal liga com conhecimento profundo do que é a nossa identidade, e, sendo o Benfica uma das principais rodas dentadas da engrenagem, isso incomoda-me profundamente. A Mística engrandece e enobrece nosso clube a um nível quase elitista, mas anterior à Mística existe toda uma identidade muito mais forte, e que é sempre esquecida.

Uma Benficalidade.


Benficalidade que foi, é e será sempre responsável pelo passar da identidade dentro de um balneário, em um café, ou no telhado de uma casa. Isto não é Mística, isto é identidade.


4 comentários:

lawrence disse...

Urgente "pensar" para onde vai (ou deveria ir) a Benficalidade!
A ditadura dos número$ está-se a sobrepôr áquilo que deve ser a base de sustentação e identidade do S.L.B.!

L. disse...

de todos esses treinadores benfiquistas que enumeras nem um tem qualidade sequer aproximada para o benfica. ricardo gomes e preud homme tiveram medíocres percursos como treinadores.

benfiwusita? eu quero e um treinador bom. fernando santos e benfiquista, foi vitima das circunstancias, e antes de ser despedido os adeptos andavam há um ano a dizer mal dele e a critica-lo pelos motivos mais palermas... e eu acho-o um bom treinador. mas jesus e melhor que ele.

Benfiquista Tripeiro disse...

O post é sobre treinadores Benfiquistas na primeira liga, não no Benfica. Lê o post com atenção.

Paulo Figueiredo disse...

Excelente post. Na minha opinião, o problema começa na formação. Não acarinhamos devidamente nem os jogadores formados na nossa casa - muitas vezes emprestando-os, sem critério de clube em clube até à dispensa final - nem os próprios treinadores que formamos e que desenvolveram as suas capacidades no Caixa Futebol Campus. Ex-jogadores identificados com o nosso emblema raramente são igualmente aproveitados.

Sabem onde começou o Domingos como treinador? Na equipa B do Porto. Sabem onde começou o Vítor Pereira como treinador? Na formação do Porto. Sabem onde começou o Pedro Emanuel como treinador? Na formação do Porto. E podia dar mais exemplos como o João Pinto, etc.

Para além de tratar muito bem as os jogadores que se tornaram referências do próprio clube, o FC Porto tem conseguido manter um bom relacionamento com diversos clubes onde normalmente coloca jogadores... e treinadores. Jorge Costa, Sérgio Conceição, Nuno Espírito Santo, Aloísio, Fernando Couto são alguns exemplos. Não é difícil perceber por que razão um qualquer Arouca que sobe à I Liga vai buscar o Pedro Emanuel para treinador. É sinónimo de jogadores emprestados e quem sabe até umas ajudinhas da arbitragem...

Em suma, e como a arbitragem está fora do nosso controle, devemos valorizar ex-atletas e treinadores jovens da nossa formação. Criámos uma equipa B e quem a foi treinar? Bruno Lage? Não. O Norton de Matos. Obviamente, Bruno Lage foi à sua vida e todos percebemos o motivo. Percebo a escolha do Hélder para treinador da equipa B mas receio que este não se aguente lá muito tempo caso não consiga resultados. Ao mesmo tempo, não podemos continuar a emprestar os nossos melhores jogadores sem qualquer critério. Se estes forem devidamente acompanhados e acarinhados, poderão alcançar outros patamares e regressarem ao Benfica ainda mais fortes. É claro que se tiverem um treinador afecto ao Benfica por perto tanto melhor.

É crucial que o Benfica saiba manter boas relações com todos os clubes, que consiga colocar nesses mesmos clubes pessoas competentes e da sua confiança de forma a que possa emprestar 2 ou 3 jogadores que se consigam valorizar.

Por último, a Benfica TV pode constituir uma outra forma de chegar a esses mesmos clubes. Não sei até que ponto estaremos interessados em difundir os jogos doutros clubes mas parece-me que precisamos mais do que os jogos do Benfica e da Liga Inglesa para competirmos com a Sport TV. Não sou expert no assunto mas pode ser um filão a explorar.

Saudações Benfiquistas