PABLO AIMAR - UM REI EM CHUTEIRAS PUMA


Passava cerca de meia hora, no jogo da segunda  mão dos quartos-de-final  da Liga dos Campeões, entre o Benfica e o Chelsea, quando John Obi Mikel apanha Pablo Aimar.
O argentino cai no relvado de forma dramática e um gemido colectivo em Stamford Bridge faz descer em palavras até ao relvado um: 'Levanta-te, batoteiro bastardo!" Mesmo do meu ponto de vista, é difícil ver se é simulação, mas o que estava claro como o dia era que desde o primeiro minuto, o pequeno médio vinha a puxar os cordelinhos na busca de manter o sonho europeu da sua equipa.

Dez minutos passaram depois desse momento, e os do Benfica encontram-se reduzidos a dez homens, e ninguém imaginava que o capitão do Benfica, Maxi Pereira, pudesse ter ordem de expulsão. O esforço da estrela do Benfica na Europa, Nicolas Gaitán, provava-se ineficaz. Os 70 minutos seguintes serviram como um lembrete de que Pablo Aimar, agora com 32 anos, ainda era capaz de ditar um jogo de futebol através dos seus pés, como tinha feito no Valência e no River Plate, anos antes.

Quando penso em Aimar, penso no jovem de cabelos grandes que apareceu no Mestalla, vindo do River Plate, gerando uma expectativa grande. Ainda assim, encaixou perfeitamente na ponta do diamante do meio-campo, ajudando a quebrar temporariamente o estrangulamento do Real Madrid e do Barcelona na La Liga, e fez da equipa do Valência de Rafa Benitez um dos clubes mais atraentes de assistir, na Liga dos Campeões.

Isso foi há mais de dez anos, e agora, eu, era uma testemunha de um resoluto Chelsea lutando para manter a trela num jogador que zumbia ao redor do campo, fazendo-se disponível onde quer que houvesse espaço para alguém da sua pequena estatura. Outros podem ter visto isto como um acto de ganância, mas ficou claro que os seus companheiros do Benfica valorizavam a sua experiência de desbloquear uma defesa com apenas um passe, e tendo assumido as funções de Gaitán ao marcar o canto do qual saiu uma deliciosa bola para um gigante Javi Garcia, compensando a sua prestação desajeitada no confronto com Ashley Cole no início do jogo.

Na cobertura televisiva do jogo, Roy Keane referiu-se a  Aimar como alguém que foi "quase um grande jogador". E até certo ponto, o homem que muitas vezes é preciso com as suas observações contundentes, estaria certo. Quando os historiadores olharem para trás no futebol argentino dos últimos dez anos, ele pode não ser um dos primeiros a receber uma menção, mas sucessos domésticos, que incluem os títulos premiados em Espanha e Portugal, irão sugerir o contrário.

A única mancha num registo doméstico impressionante, foi a relegação surpresa com o Real Zaragoza, em 2008. Uma equipa embalada com outros talentos argentinos como Roberto Ayala, Andres D'Alessandro e Diego Milito parecia destinada à grandeza, mas o velho ditado do futebol que um grande conjunto de jogadores individuais nem sempre garante o sucesso, certamente desempenhou um papel na queda da equipa para a Segunda divisão.

Talvez os comentários de Keane fossem mais voltados para o impacto de Aimar no cenário internacional. Sim, ele acumulou 50 internacionalizações pela Albiceleste, mas, invariavelmente, quando se está a jogar no papel de Pibe, as comparações com o maior número 10 argentino serãp feitas, e foi aí, talvez, onde Aimar lutou com maior dificuldade. Ele não é o único a passar por isso. Carregar com a alcunha de 'novo Maradona', e conseguir um aval pessoal do próprio homem, foi experimentado por Riquelme, D'Alessandro, Saviola e muitos outros. Certamente, o problema tem sido de facto com os gestores que foram incapazes de construir em torno de tal abundância de talentos criativos.

Há, naturalmente, um jovem futebolista que pode eclipsar Maradona e tendo sido privilegiados o suficiente para assistir ao melhor jogador actual do planeta no Campeonato do Mundo de 2010 na derrota dos quartos-de-final contra a Alemanha, alguns ainda argumentam que ele necessita de provar muito, no palco internacional, para certificar a sua grandeza. 

Enquanto nós continuamos a elogiar um jogador que bate recordes numa base quase semanal, devemos lembrar o jogador que Messi outrora idolatrou em jovem. O futebolista que ainda valsa num campo de futebol tão majestosamente num par de chuteiras da marca Puma, assim como o grande Maradona fez uma vez. Pode-se dizer que, sem Pablo Aimar, não teríamos o Lionel Messi que conhecemos e amamos hoje.

8 comentários:

Paulo Dias disse...

Texto espetacular! Muito bom. Para os mais "picuinhas" como eu, de frisar que Pablo usa agora chuteiras Mizumo pintadas sobre a marca, devido ao seu acordo publicitário com a Puma.
Mas tendo em conta que o Texto é de 2012, até nisso está certo!

Fura-Redes disse...

Espectacular! grande texto

Germano Bettencourt disse...

PRICELESS

É por coisas destas, que prefiro blogues a jornais.

Obrigado pela partilha.

Vitto Vendetta disse...

Boa friikniinii, bem esgalhada! Um texto nada fácil de traduzir, que estes geezers da bola é só camonices!!

friikniik disse...

Textos destes são uma delicia mesmo, e mais houvessem para traduzir. Ddeste-lhe um toque de classe, como El mago, Vitto. Eu sou péssimo com as virgulas. :P O Pablo Aimar é um senhor, o querer vê-lo a jogar é algo muito intenso, quase obrigatório. :)

Miguel insan disse...

Já tinha lido o ano passado, a versão original.

Só uma correcção: o Puma King não é o Aimar que é king (CÁ BURRO! ENTÃO NÃO SABES QUE O GAJO É DEUS?), Puma King é o modelo das chuteiras ;)

LDP disse...

E porque é que se chamam puma king?

" First introduced in 1968 as the “King Eus©bio” to honour Portugal’s legendary Mozambican-born soccer star Eus©bio da Silva Ferreira who was the top scorer at the 1966 World Cup.
Over the years, the King became a legend and was worn by legends. The world’s greatest football stars wore the King including Eus©bio, Brazil’s Pele, Argentina’s Maradona and Dutch maestro Johan Cruyff."

Se fossemos como um certo clube, isto era mais do que razão para juntar mais um título ao palmarés.

A não ser que também existam as Puma Paulinho Cascavel ou, ja agora, as Puma Jaime Magalhães e ninguém me avisou.

Vitto Vendetta disse...

Fui eu que escolhi o título e passei ao friik. My bad.

De facto não sabia nada disso, muito menos que eram King por causa do Eusébio. Estou siderado.

Vai ter que sair posta um dia destes sobre isso caralhoo

Agora vou ao Júlio Magalhães encavacá-lo um bocadinho e já vos trago noticias :D