Gascoigne, Humoristas, álcool, racismo e os balcãs


Não tenho grandes memórias dos tempos que Paul Gascoigne passou em grandes clubes, antes de assinar pelo Rangers. É este Gascoine, ou 'Gazza', de azul negro, cabelo em tons iguais ao do rival Ravanelli, e com a célebre McEwans ao peito que eu recordo, e a quem chamarei sempre de mito.

Gazza anunciou há dias que voltaria a jogar futebol numa equipa amadora, e fez disso notícia. No dia seguinte, recebeu um convite de Redknapp para ajudar a treinar as camadas jovens do Queens Park Rangers. Na mesma noite, Gazza foi levado pela polícia por estar deitado em frente ao seu apartamento com uma garrafa de Gin, e com um aspecto irreconhecível.

Não sei se mais alguma vez o veremos ligado ao futebol, nem consigo olhar bem para as fotos actuais, e é este Gazza que eu quero sempre recordar.



Ser Gazza não é ser exemplo, ser Gazza não é virtude. Ser Gazza é ser loucura, é ir ao topo. Ser Gazza é ser George Best, é ser Mané Garrincha, é ser Vítor Baptista. Ser Gazza é ser Maradona, o maior de todos os tempos. Ser Gazza é ser um mito, e foi com mitos que se construiu o futebol.

As melhoras, campeão.

Mudando o disco



Esta adepta (Grémio) foi apanhada pelas câmaras a chamar 'Macaco' ao guarda redes do Santos. Foi hoje prestar declarações, e argumentou que é um cântico habitual por entre a claque, e que ela só foi atrás, não querendo admitir que o seu acto foi racista. Claro que a gaja é uma burra de merda, não tem nada que chamar macaco ao guarda-redes.

Um dos líderes da claque, de seu nome Éder Braga (não, não é Éder do Braga), que por acaso tem uma tez de pele mais escura do que o guarda-redes, foi também acusado de racismo, e prontificou-se a negar e dizer que só chamou o guarda-redes de filho da puta, e não de macaco, mesmo com imagens dele na bancada a imitar... um macaco, tendo isso resultado numa onda de indignação no Brasil pelo tom de pele do líder da claque.

Agora eu pergunto. Qual é a diferença? Não, a sério, qual é a diferença entre gritar "Macaco" quando um guarda-redes vai chutar a bola, ou gritar "filho da puta", como nós ESTUPIDAMENTE por cá fazemos. Será que todos os que gritam acham mesmo que a mãe do guarda-redes é puta? Será que todos os que gritam acham mesmo que o guarda-redes é um macaco? Eu acho que não, mas também acho que tanto uma, como a outra coisa, são ridículas, e a única solução seria mesmo deixar de fazer esses comentários, de entoar esses jargões de bancada, se querem mesmo "erradicar" este tipo de racismo da bola.

É que, para mim há outro tipo de racismo, e esse sim, deve ser levado a sério. Eu já vi do que são capazes os verdadeiros racistas num estádio de futebol, e recordo com repulsa um indivíduo na Catedral a insultar o Adu logo no seu primeiro jogo. Aquilo sim, é racismo na pura forma, com ódio, mas felizmente, todos em sua volta o colocaram no devido lugar, no lugar de merdas que ele é. Numa altura em que benfiquistas apelidam outros benfiquistas de Talibans, quer-me parecer que esses racistas são os verdadeiros Talibans do futebol, e esses sim, não fazem falta nenhuma.




E o #meet dos treinadores? Onde Jota Jota brilhou com a sua proposta brilhantemente sustentada com argumentos claros. Era bom que o futebol fosse sempre assim, estou contigo nessa luta Jota. Só não percebo o que é que fazia lá o treinador do Valência.



Congratulo a entrada de Pippo Inzaghi para o lote de treinadores, espero que tenha muito sucesso no Milan, pois fico sempre feliz de ver um jogador que acompanhei a dar em treinador. Ainda por Itália, e à pala do meu amigo Filipe Zenhas Ortega y Pacheco bees'n'schoolofhardnox Mesquita, encontrei um blog fabuloso, mas está escrito em italiano. Já lhes surripiei esta foto com o Voeller a segurar uma pomba.



Blog é o Lacrime di Borghetti



Zvonimir Boban, o cérebro dos balcãs, é recordado por vários feitos, mas este será o mais icónico 'boneco' que lhe conhecemos.

Quando a seleção de sub20 da Jugoslávia foi disputar o mundial da categoria no Chile, não podia contar com o capitão, Djordjevic, nem com as duas estrelas da equipa, que mais tarde jogariam na Lazio, Sinisa Mihailovic e Alen Boksic. Com essas três ausências, a federação resolveu deixar em terra os jogadores que já competissem a alto nível, e foi para o Chile com a ambição de perder os três jogos e voltar o mais depressa possível.

Mas claro, como nas histórias, o final foi feliz, e depois de assentarem pés em terras quentes, não tardaram em fazer grandes festas, sem álcool, diz o treinador Mirko Josic, que ele próprio ficou tão encantado que ficou quase uma década no Chile, a treinar o Colo-Colo antes de vir para Portugal em 98 deixar o Sporting em 4º. Robert Jarni engatou a Miss Chile, e já não queria saber de mais nada, enquanto Boban, o cérebro, ia-se organizando ao lado de Igor Stimac, Robert Prosinecki, Davor Suker e Pedrag Mijatovic.

Foi com facilidade que chegaram à final, com Boban a marcar o golo que os levaria a penáltis, e à última grande vitória da possível melhor seleção do início dos 90's.



Jorge Jesus não foi o primeiro a encostar num polícia. Nesta foto, Boban, que já era capitão do Dinamo desde os 19, fruto da grande campanha no tal Mundial, pontapeia um polícia que agredia um adepto, durante o Zagreb - Estrela Vermelha, dando início aos motins entre croatas e sérvios que acabariam numa guerra no país, e com a independência da Croácia, sua terra natal.

Devido à guerra, a Jugoslávia desistiu do Euro92, e foi banida do WC94, perdendo-se uma equipa fantástica durante quase metade da carreira dos jogadores. Mais tarde, a Croácia brilhou em 96 e 98, com um Boban nos trintas, e campeão europeu pelo Milan, para onde foi no ano seguinte a dar este pontapé, pontapé esse que foi um impulsionar da liberdade croata, e foi também o destruir da mais talentosa equipa que os balcãs poderiam dar ao mundo, não se juntando a sérvios como Mihahilovic, Kezman ou Mijatovic. Mas isso são peaners, e o que interessa é a liberdade. Viva Zvonimir, o Jesus dos balcãs.

PS: Este pontapé também permitiu a sorte do Kralj ser internacional, e brilhar no Fê Quê Pê.

PPS: Boban foi ídolo durante uma década no Milan, e para o seu lugar foi contratado... Rui Costa.

Já agora, não posso deixar passar esta foto, que contém os dois melhores humoristas deste país... aliás, são os únicos dois humoristas deste país.

7 comentários:

POC disse...

Granda posta ó patrão.
Abc.

joao straton disse...

Muito bom post, gosto de posts que falem sobre Futebol, jogadores e treinadores, mas sobretudo de histórias que aprendemos a amar, de vidas de grandes jogadores o seu percurso futebolístico as suas carreiras.
Já estou um bocado farto das linhas de edição dos principais blogs afectos aos grandes clubes, ou é a arbitragem ou o simples escárnio no clube rival, ou então a formação (parece ser a nova bandeira do "mais lido" na blogosfera Benfiquista).

AntiPorko disse...

Nesse blog que é o supostamente mais lido, é com cada teoria da tanga... é do estilo `eu avisei` e tal `notícias exclusivas` e coiso... São os donos da verdade absoluta!! Enfim, são uns... tangas!

Jorge Alemão disse...

Muito bom

Quem me dera ter blogs afectos ao Sporting tão interessantes como o Cabelo do Aimar e quem vos dera ter um presidente como o nosso :)

Quanto ao racismo no futebol para mim é uma verdadeira treta

O sentimento que prevalece não é o recismo, mas sim o de uma rivalidade (nada saudavel, claro) entre clubes

Se alguem chamar macaco ao Eliseu, por exemplo - não o faz por não gostar de pretos - faz por não gostar ou para atinguir o Benfica

joao straton disse...

@ jorge "Se alguem chamar macaco ao Eliseu, por exemplo - não o faz por não gostar de pretos - faz por não gostar ou para atinguir o Benfica" certo...mas a verdade é que nesse discurso alguém foi racista e digo mais..podia ter chamado "estúpido" "Filho da puta" entre outras coisas, mas optou por chamar "macaco", para mim isto é racismo,e no futebol principalmente nas claques polvilham os ódios xenófobos e rácicos.

Jorge Lopes disse...

Ainda bem que te ris com BdC, nós, sportinguistas, também e fazemo-lo há quase dois anos, com a particularidade de fazê-lo em dobro: rimo-nos com ele e daqueles que se riem dele.
Já gora mais um motivo de risota para ti. BdC partiu ontem para Inglaterra para partricipar como orador convidado, no Soccerex comgresso no qual marcam presença a maior parte dos clubes mais importantes do mundo. É uma honra que nunca foi concedida a presidente algum português excepto ao Sporting.
Portanto podem continuar a rir-se. O meu maior problema é quando vocês deixarem de rir pois isso poderá significar que deixaram de estar distraídos.
Portanto, riem-se à vontade. Nós esperamos continuar a rir por muitos e bons anos.
Jorge

Pulha Garcia disse...

Grande post, de facto. Sempre fui um fã do Boban, para mim o cérebro da equipa do Milan que esmagou o Barça na final da Champions de Atenas (um Barça também muito forte, com Romário, Stoichov, Guardiola e companhia mas não tão forte como o Milan do Desailly - a jogar a trinco, considerado nessa final o melhor jogador em campo - Saavicevic, Maldini, Baresi etc. Aliás na minha modesta opinião esse Milan foi a equipa mais forte que vi jogar desde sempre, forte nos 3 sectores da equipa, ao contrário do Barça do Guardiola que só era verdadeiramente forte do meio-campo para a frente. Mas são gostos ...

Boban na minha opinião começava a qualidade do seu jogo na parte defensiva, muito certinho a marcar, resistente os 90 minutos (ou não tivesse feito carreira em Itália) e aparecendo no ataque para desequilibrar e abrir o jogo. Gostei muito do comentário dele há dias sobre o Balottelli, um overrated de quem a imprensa gosta mas que contas feitas tem baixíssimo rendimento desportivo. "Balotelli no Milan? No meu tempo seria o gajo que levava as malas da equipa". Enough said.